É isso aí

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

alhos & bugalhos
REVANCHE DE BARBOSA ARRISCA 38 DECISÕES DO CNJ
 
http://www.brasil247.com/ - Contra decisão do STF, Joaquim Barbosa instalou na presidência do Conselho Nacional de Justiça o desembargador Francisco Falcão para cobrir suas ausências ou atrasos às sessões; o certo seria ser substituído por Ricardo Lewandowski, vice-presidente do STF e único apto legalmente para cumprir o papel; manobra típica de revanche, de Barbosa contra Lewandowski, em razão de desavenças no julgamento da AP 470, podem acarretar uma longa série de pedidos de anulação de sessões comandadas por Falcão; confusão constrange conselheiros do órgão criado para fiscalizar a Justiça; "Joaquim transformou o corregedor numa espécie de vice-presidente do CNJ, mas não poderia ter feito isso", declarou um dos conselheiros; confira lista exclusiva das sessões que correm risco de anulação, por ilegais
247 - Pelo menos 38 sessões do Conselho Nacional de Justiça, nas quais diferentes decisões foram tomadas em relação a litígios díspares e relevantes, podem ser anuladas em razão de uma verdadeira revanche praticada pelo presidente do STF e do CNJ, Joaquim Barbosa, contra seu desafeto Ricardo Lewandowaski, também vice-presidente do STF e do CNJ. Para evitar que suas constantes ausência das sessões plenárias do CNJ acarretassem o exercício temporário da presidência do órgão por Lewandowski, Barbosa determinou que, em seu lugar, atuasse como presidente das sessões plenárias o desembargador Francisco Falcão, corregedor do órgão.
O problema é que essa troca de personagens ao bel prazer do presidente do STF contraria uma regra estabelecida pelo próprio Supremo Tribunal Federal, de 2012. De maneira clara e nítida, o STF decidiu que: "A competência exclusiva, indelegável e absoluta para presidir a sessão do CNJ fixou-se, a partir do advento da EC nº 61/2009, na pessoa do Presidente ou, na sua ausência, do Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal, nos termos do disposto no artigo 103-B, §1º, da Constituição de 1988 (MS 28.003/DF)".
A ultrapassagem por Barbosa da decisão do Supremo, para evitar que Lewandowski assumisse o posto de presidente do CNJ, mesmo que temporariamente, vai fazer com que réus e vítimas de sessões julgadas sob a presidência de Falcão peçam suas respectivas anulações. Afinal, ele não poderia estar naquela posição, mas apenas o próprio Barbosa ou, quando ausente, o seu substituto legal, o adversário Lewandowski. Para prejudicar o colega, Barbosa atropelou as regras e vigentes e armou um grande imbroglio para o CNJ. 
Conselheiros do CNJ ouvidos por 247, que obteve lista parcial, mas extensas, das sessões comandadas irregularmente por Falcão, temem que as partes prejudicadas ingressem com mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal e anulem os processos julgados sob a presidência inconstitucional dele. O precedente do STF, para tanto, é muito claro, ao especificar a sessão do Conselho não pode ser presidida por outra pessoa, senão o presidente ou vice do Supremo. Segundo um Conselheiro, que se disse constrangido pelos atos do presidente do STF, "Barbosa transformou o Corregedor numa espécie de vice-presidente do CNJ".
A coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, apontou nesta quarta-feira que Barbosa tem driblado,  deliberadamente, o direito de Lewandowski de presidir as sessões às quais ele, Barbosa, falta ou chega atrasado: 
Drible  - O ministro Ricardo Lewandowski, vice-presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, não tem sido convocado a assumir a presidência do CNJ nas ausências de Joaquim Barbosa. Ontem, o corregedor Francisco Falcão presidiu a sessão do órgão durante a manhã.
Regra Em 2012, o Supremo decidiu que a competência "exclusiva, indelegável e absoluta" para comandar as sessões é do presidente do STF ou, na ausência, do vice. Conselheiros temem que decisões tomadas sob o comando de Falcão sejam passíveis de anulação, narra o Painel.
Ao jornal, o CNJ informou que Falcão assumiu "porque se tratava de ausência temporária, pois Barbosa chegou à tarde". De acordo com a assessoria, o vice deve ser acionado quando a falta é durante todo o dia.
O problema, repita-se, é que quem deveria cobrir Barbosa era, e sempre foi, Lewandowski, e jamais, pela lei, Falcão.


POR HOJE É SÓ... PONTO FINAL (REDAÇÃO: O BOLSO DO ALFAIATE)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

alhos & bugalhos
Morre o cantor Jair Rodrigues aos 75 anos

Segundo produtora, músico estava em casa, em Cotia (SP).
Ele era conhecido por sucessos como 'Disparada' e 'Deixa isso pra lá'.

 

G1 - Morreu o cantor Jair Rodrigues, aos 75 anos. De acordo com a JRC Produções, o músico estava em casa, em Cotia (SP), e a família aguarda a chegada da perícia. Não foi divulgada a causa da morte.
Ao G1, uma pessoa que se identificou como empregada doméstica de Jair, afirmou por telefone que ele morreu "provavelmente de um mal súbito". Segundo ela, o cantor foi dormir normalmente na noite desta quarta-feira (7) e foi encontrado morto, na cama, já na manhã desta quinta-feira (8).
Por volta das 11h10 da manhã, ainda era esperada a equipe do Instituto Médico Legal (IML). A funcionária não informou se Jair estava sozinho na residência. Ela não quis informar se ele estava sozinho em casa. "Está todo mundo desesperado, porque ninguém estava esperando", disse.
Jair Rodrigues de Oliveira nasceu em Igarapava (SP), no dia 6 de fevereiro de 1939, informa seu site oficial. Pai dos também cantores Jair de Oliveira e Luciana Mello, ele começou sua carreira nos anos 1960, em programas de calouros.
Em 1962, gravou aquele que é consirado seu registro de estreia, um disco de 78 rotações. Segundo o perfil, duas das músicas, "Brasil sensacional" e "Marechal da vitória", tinham como tema a Copa do Mundo daquele ano, no Chile, que foi vencida pela seleção brasileira.
Em 1964, gravou seus Jair Rodrigues gravou seus primeiros LPs, "Vou de samba com você" e "O samba como ele é". Seu maior sucesso no período foi a música "Deixa isso pra lá", tida como precursora do rap no Brasil. Marcada pelo movimento característico das mãos de Jair Rodrigues, a faixa foi regravada em 1999 em parceria com o grupo Camorra, diz o perfil.

Jair Rodrigues também ficou conhecido pelo trabalho ao lado de Elis Regina. Os dois iniciaram a colaboração em 1965 e lançaram o disco ao vivo "Dois na bossa". A boa repercussão do LP rendeu o convite para apresentar o programa O fino da bossa, que estreou em maio  de 1965 na TV Record.
Com Elis, o cantor lançou em 1966 e 1967 outros dois volumes da série "Dois na bossa".

Filme A Coleção Invisível ganha mais um prêmio

A Coleção Invisível venceu o prémio do público do Melhor Filme Estrangeiro (ex-aequo com NOBRE do Vietnã) no Festival Internacional de Newport Beach, California. Em abril de 2013 O filme já tinha sido premiado na 4ª edição do Festin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, ao arrecadar o prémio de Melhor Longa-Metragem em competição (veja aqui) e com o "Kikito de Ouro", no Festival de Gramado. A coleção Invisível, filme dirigido por de Bernard Attal, foi gravado em Itajuípe em 2012 e contou com a participação dos atores Walmor Chagas, Vladimir Britcha, Clarisse Abujamra, Ludmila Rosa e do itajuipense Wesley Macedo.

PSDB de Aécio tem cheiro de derrota, afirma Marina

 
A cinco meses da eleição, a ex-senadora Marina Silva afirma que o PSDB de Aécio Neves já entrou na disputa com o "cheiro da derrota" no segundo turno. Ela diz que seu companheiro de chapa, Eduardo Campos (PSB), é o único capaz de impedir a reeleição de Dilma Rousseff (PT). A declarações devem ajudar a sepultar o clima de trégua entre os dois candidatos, que vinham atuando em parceria para desgastar a petista. Incomodada com as comparações entre Campos e Aécio, Marina afirmou que o aliado defende ideias mais progressistas que o tucano. Também atacou Dilma, a quem acusou de usar a propaganda oficial para esconder os problemas do governo. A ex-senadora se mostrou incomodada com o relato do ex-presidente Lula, revelado na segunda pela coluna Mônica Bergamo, da Folha, de que ela teria consultado Deus antes de pedir demissão do Ministério do Meio Ambiente. Marina deu entrevista anteontem em um hotel da zona norte de São Paulo. Ao receber a reportagem, pediu licença para retocar os lábios com uma beterraba --ela tem alergia a batom.

INJUSTA JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

Tempo de Trevas? Barbárie? Declínio do chamado comportamento social aceitável ou, simplesmente, CRIME? Qual é a visão que podemos lançar sobre os fatos ocorridos esta semana no litoral paulista?
Uma mulher assassinada por seus vizinhos por conta de um boato virtual, no qual lhe atribuíam envolvimento em sequestros de crianças para que fossem sacrificadas em rituais de magia negra... Vem à minha cabeça a queima de bruxas da Idade Média... Idade das Trevas!
Não poderá mais, a sociedade brasileira, olhar com espanto acontecimentos como o apedrejamento de mulheres, tidas como adúlteras, em alguns países do médio oriente... O que fizemos nos remete à ”INcivilização”, a um estado tão primitivo que só justificaria se ainda vivêssemos em cavernas e andássemos com clavas nas mãos!
Aqui não cabem nomes, datas, locais. Cabe apenas a indignação, a consternação, a preocupação em relação ao destino que escolhemos e por nos deixarmos contaminar pela violência que condenamos.
Não há JUSTIÇA quando as mãos estão sujas de sangue...
Não há JUSTIÇA quando os autos do processo provêm de um boato virtual...
Não há JUSTIÇA possível quando um INOCENTE perde a vida...
(Recuso-me a reproduzir as imagens do massacre cometido contra Fabiane Maria de Jesus. Por isso preferi postar uma foto fazendo uma alusão à queima de bruxas na Idade Média) - Delegada Martha Rocha

Técnicos do Derba inspecionam a Transouricana
O Chefe do 14ª Residência de Manutenção do Departamento de Infraestrutura de transportes da Bahia (Derba), Juscelino Alves dos Santos, o técnico Albino Dias Ferreira se reuniram nesta quarta-feira (7) com o prefeito de Canavieiras, Almir Melo. O tema do encontro foi a recuperação e manutenção permanente da Rodovia BA 274 (Transouricana), que liga os municípios de Canavieiras à BR 101, via Santa Maria Eterna.
Junto com o prefeito Almir Melo e o vereador Cleonildo Tibúrcio, os técnicos do Derba conheceram, in loco, o atual cenário da rodovia, no sentido de elaborar uma planilha com as obras a serem realizadas e a ordem de prioridade. No mesmo trabalho os técnicos também vão montar o cronograma de execução das obras, no sentido de maximizar os equipamentos alocados.
De acordo com vistoria dos técnicos, dentro de no máximo 15 dias chegarão os equipamentos destinados à recuperação e manutenção da Transouricana, conforme acordo firmado entre o prefeito Almir Melo e o governador Jaques Wagner, durante audiência exclusiva concedida no último dia 30 de abril, na governadoria.
Logo após o encontro com o governador, o prefeito se reuniu com o diretor do Derba, Saulo Pontes, que destinou uma patrulha mecânica para a rodovia Transouricana. Os equipamentos que farão a recuperação da rodovia são um trator de esteira, uma motoniveladora, uma retroescavadeira, um rolo compactador liso e três caminhões caçamba.
A Rodovia Transouricana tem 78 quilômetros de extensão e é uma via de tráfego fundamental para a economia do município de Canavieiras, pois está localizada no centro de uma importante bacia leiteira, fazendas de cacau e demais produtos agropecuários. A região cortada pela Transouricana é uma das mais populosas e prejudicada no deslocamento das pessoas durante o período chuvoso.
Sempre que a rodovia apresenta dificuldades de tráfego, a Prefeitura de Canavieiras é obrigada a fazer intervenção, colocando uma equipe com máquinas e pessoas para recuperar a Transouricana. A rodovia – BA 274 – é de responsabilidade do Governo do Estado e o prefeito Almir Melo já solicitou, por várias vezes, ao governador Jaques Wagner a pavimentação asfáltica, no sentido de acelerar o desenvolvimento daquela região.
Presidente do TCMBA assina termo com o CNJ para aperfeiçoamento do cadastro de inelegíveis
O presidente do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, conselheiro Francisco de Souza Andrade Netto, assinou na último dia (28), junto ao presidente do Conselho Nacional de Justiça, Ministro Joaquim Barbosa, termo de cooperação técnica que tem por objeto o aperfeiçoamento e a manutenção do Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa e por Ato que implique Inelegibilidade (CNCIAI).
Desta forma, o TCM baiano, o Tribunal de Contas da União, e os demais tribunais de contas de estados e os tribunais e conselhos de contas municipais que aderiram ao termo, se comprometem a informar as decisões proferidas contra gestores que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos oito anos seguintes, contados a partir da data da decisão.
Após anuência do CNJ, o termo de cooperação poderá ter a adesão dos tribunais de justiça dos estados e do Distrito Federal, dos tribunais regionais federais, dos tribunais de justiça militar estaduais, dos tribunais regionais eleitorais, dos tribunais de contas dos estados e dos tribunais e conselhos de contas dos municípios.

Deus castiga

O cardeal Dom Orani foi a Brasília para a reunião do Conselho de Comunicação Social que debateu a violência contra profissionais da imprensa. 

Já Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos, esnobou o encontro.


POR HOJE É SÓ... PONTO FINAL (REDAÇÃO: O BOLSO DO ALFAIATE)


domingo, 4 de maio de 2014

alhos & bugalhos

Como a vodca criou a União Soviética

Ela se tornou o destilado mais popular do mundo. Mas, bem antes disso, derrubou o czarismo, foi arma política de Stálin e deflagrou o fim do socialismo na Rússia. Tudo sem nunca deixar de ser o orgulho - e a vergonha - de toda a nação

por Felipe Van Deursen
 

O líder mongol Tokhtamich não acreditou no que estava vendo. Seus homens conseguiram sitiar Moscou, mas a cidade ainda não havia sucumbido. O descuido dos inimigos moscovitas o surpreendeu. "Alguns rezavam, enquanto outros pegavam hidromel dos depósitos dos boiardos e começavam a beber. Bêbados, ficaram ousados e subiram nas muralhas", anotou. No alto dos muros, começaram a xingar os oponentes tártaros. Ficaram dois dias assim. Bebendo e ofendendo. Até que, totalmente desnorteados, trôpegos e entorpecidos pelo álcool, acharam que a batalha cessara e abriram os portões, enganados pelos inimigos à espreita. Os mongóis saquearam e devastaram Moscou naquela noite de 23 de agosto de 1382. O próprio Tokhtamich atribuiu a vitória à bebedeira. Os russos tombaram, humilhados. A cidade foi queimada e milhares morreram.

Quase 7 séculos mais tarde, em 2011, o presidente Dmitri Medvedev anunciou um plano para quadruplicar a taxação sobre a vodca no país. O objetivo é não só aumentar a arrecadação de impostos sobre o produto como também combater o velho mal do alcoolismo na Rússia, onde a expectativa de vida é de 65,5 anos - menor até que a do pobre vizinho Cazaquistão.

Não é nem de longe a primeira vez que o governo se mete com o álcool. A vodca já foi monopólio estatal antes mesmo do socialismo. Acelerou a queda dos czares. Escancarou a fragilidade do Partido Comunista da União Soviética. Não importava se quem estava no comando era uma família real ostentadora ou um punhado de burocratas corruptos. Havia vodca na mesa. No trabalho. Nas manhãs congelantes. Quem ousou se meter com esse misto de orgulho e vício nacionais dificilmente passou incólume.

PRIMÓRDIOS BÊBADOS

A vodca é uma bebida de centeio, batata ou trigo que surgiu no final do século 15 com a popularização da tecnologia de destilar, ou seja, separar líquidos por meio da evaporação. A palavra "vodca", que evoca no imaginário algo forte, devastador, tem um significado quase irônico em russo: "aguinha". Mas o termo só se firmou no fim do século 19. Até então, tinha muitos nomes, como vinho de centeio e, atenção para a poesia, lágrima de cereal. Nessa época, ela já havia substituído havia muito tempo no coração e no fígado dos russos o hidromel, a antiga bebida fermentada que levou à derrota frente aos mongóis.

Em 1478, a Rússia, que começava a nascer como estado nacional, tirou o domínio da vodca da Igreja e criou um rentável monopólio sobre o produto. Até as tavernas pertenciam ao czar. No fim da década de 1850, 46% do orçamento do governo vinha da bebida. Esse era o Império Russo, um lugar onde a vodca dava mais dinheiro para o governo do que trens e ferrovias, o símbolo máximo da modernidade no século 19.

A época foi marcada também pelas mudanças implementadas no reinado de Alexandre II. Dois anos antes de Abraham Lincoln acabar com a escravidão nos Estados Unidos, ele libertou os 22,5 milhões de servos russos, em 1861. O czar lançou políticas econômicas mais progressistas e a indústria cresceu. A produção de vodca não estava nas mãos do Estado, mas da nobreza. Esse contexto favoreceu o fortalecimento dos primeiros grandes industriais do álcool, segundo a jornalista americana Linda Himelstein no livro O Rei da Vodca. O mais famoso deles era o ex-servo Piotr Smirnov, criador daquele que é hoje o destilado mais conhecido e consumido do mundo, a vodca Smirnoff.

A bebida já estava estabelecida no cotidiano dos russos. Pedro, o Grande, instituiu o gole punitivo em seu reinado (1682-1725), passatempo em que os atrasados a uma reunião eram supostamente forçados a entornar uma caneca de vodca. Àquela altura, os russos bebiam em negociações. Bebiam na colheita. Na falta de dinheiro, pagavam em bebida. Subornavam em bebida. A mulher entrou em trabalho de parto? Dê-lhe vodca. O recém-nascido não para de chorar? Vodca goela abaixo que é para acalmar. E o governo estimulava isso. Mesmo com o monopólio desativado desde o século 18, os impostos sobre o produto rendiam muito aos cofres públicos. Um terço das despesas estatais, incluindo todos os gastos militares em tempos de paz, era pago com o dinheiro da vodca.

Mas ela não era querida por todos. Pelo contrário. Além da Igreja, que desde que perdera o direito de produção tornara-se uma ferrenha opositora do álcool, havia grupos cada vez mais barulhentos que se levantavam contra os males causados pela bebida. O movimento da temperança crescia no fim do século 19 a fim de combater a já mundialmente notória embriaguez russa.


LEI SECA


"A vodca é uma bebida incolor que pinta seu nariz de vermelho e enegrece sua reputação." A frase é de Anton Tchekhov, um dos maiores autores russos de todos os tempos. Outro gênio da literatura fazia coro à oposição pública de Tchekhov à bebida. Filho de um alcoólatra, Fiódor Dostoievski escreveu que "o consumo de bebidas alcoólicas brutaliza o homem e o transforma em um selvagem". O outrora bêbado contumaz Leon Tolstoi escreveu sobre os malefícios do álcool e criou, em 1887, a Liga Contra a Embriaguez. Com o apoio de artistas desse porte, movimentos de temperança ganhavam força na sociedade, especialmente após a morte de Alexandre II, em 1881. Seu filho e sucessor, Alexandre III, não era tão liberal e não podia ignorar a crise do alcoolismo. Ele sancionou novas leis, como uma de 1885 que dizia que as tavernas só poderiam vender bebidas alcoólicas se também servissem comida. Alexandre III morreu de pneumonia em 1894, e seu filho Nicolau II deu passos mais largos rumo à centralização do comércio alcoólico. Em 1895, com o intuito de controlar a qualidade e a quantidade de álcool no mercado, restituiu o monopólio, o que, em um primeiro momento, rendeu bons frutos tanto para a saúde do povo como para os cofres públicos.

Mas no século 20 a situação se complicou para a família real. O país perdera a Guerra Russo-Japonesa, em 1905, ano em que uma série de rebeliões se espalhou pelo território. E o estigma da vodca não havia diminuído. Mais uma vez, a bebida atrapalhou o desempenho. Generais japoneses reconheceram que algumas vitórias ocorreram graças ao porre dos soldados russos. A posição do governo sobre o assunto gerava controvérsia. Havia campanhas pela sobriedade, mas, como a vodca era a principal fonte de renda do governo, na prática o consumo era estimulado. A pressão aumentou ano a ano. O país estava em crise, e Nicolau II, desacreditado. Mas, com a Primeira Guerra Mundial, em 1914, o povo voltou a se unir e apoiar o czar, que achava que a sobriedade era de suma importância no conflito. Para mobilizar a população, ele decretou a lei seca, a primeira do gênero na história. O czar queria livrar a Rússia do vício. E parecia que podia conseguir. "A população saiu da inércia bêbada para a sobriedade da noite para o dia", registrou o jornal americano The New York Times na época.

Os soldados ficaram prontos para a guerra na metade do tempo previsto. A embriaguez pública era algo raro. A criminalidade caiu. "Não se pode escrever sobre a mobilização russa ou o rejuvenescimento do império sem falar da proibição da vodca", disse o jornal inglês Times em 1915. "De um só golpe, libertou-se da maldição que paralisou a vida dos camponeses por gerações. Isso em si não é nada menos que uma revolução."

Entretanto, a proibição teve consequências nefastas. Os soldados estavam despreparados, havia poucos suprimentos. "A lei seca significou que o Estado perdeu um terço do orçamento, resultando em falta de botas e fuzis [no front]", lembra Patricia Herlihy, historiadora da universidade Brown, nos EUA, e autora de The Alcoholic Empire (inédito em português). Para tentar acelerar a economia, o governo imprimiu mais dinheiro, o que causou hiperinflação e mais descontentamento. "A defasada infraestrutura ferroviária dificultou o transporte de grãos para o norte. A produção de samogon, uma vodca ilícita [e muito mais prejudicial à saúde], cresceu. A falta de pão em São Petersburgo [Petrogrado à época] desencadeou a rebelião de mulheres, que tiveram apoio de soldados e estudantes para pedir a abdicação de Nicolau II", diz. Somem-se a isso um frio de -40 ºC no inverno e anos de descontentamento. "Há relação entre a proibição e a queda do czarismo", afirma. O cientista político americano Mark Schrad, autor de The Political Power of Bad Ideas (inédito em português), concorda. "Os tesouros mais cobiçados do Palácio de Inverno não eram os quadros na parede, mas as adegas imperiais", diz. A era dos czares acabou em 1917. "O quebrado governo bolchevique cogitou vender o estoque de vodca no estrangeiro, mas optou por destruí-lo para evitar insurreições bêbadas", diz Schrad. A vodca tinha criado um vício econômico que ajudou a derrubar o regime czarista. Mas o estigma social perdurava.


CONTRARREVOLUÇÃO


Os líderes da Revolução Russa condenavam o álcool e mantiveram a lei seca. Produção e venda ilegais de vodca eram crimes graves. Mas, em 1924, o estado soviético retomou a produção, dando início a uma nova era de monopólio. Na década de 1930, o líder soviético Josef Stálin mudou a postura antiálcool com objetivos políticos. Aumentou a produção e permitiu um consumo maior na camada da sociedade mais crítica a ele: artistas, jornalistas, arquitetos e outros profissionais liberais. "Com a ajuda do álcool, tentavam cortar a língua de críticos em potencial", escreveu o historiador russo W. V. Pokhlióbkin no livro Uma História da Vodca.

O governo conseguiu razoavelmente controlar o mal do alcoolismo nos primeiros anos do regime soviético. Mas aí veio a Segunda Guerra Mundial.

Em 1943, após a vitória sobre os nazistas na batalha de Stalingrado, o Exército Vermelho passou a dar uma ração diária de vodca aos soldados. No começo, quem não bebia podia optar por chocolate, mas em 1945 o hábito de beber voltou a ser tão comum entre as tropas que recusar a dose podia ser visto como insubordinação. "Toda a população masculina ativa da União Soviética estava no Exército", lembra Pokhlióbkin. Assim, o hábito de beber costumeiramente voltou com tudo. "Em meados da década de 1960, a embriaguez no serviço se tornou um fenômeno cotidiano", escreveu.

DÉJÀ VU

Uma das primeiras medidas de Mikhail Gorbachev quando assumiu o poder, em 1985, foi lançar uma forte campanha antiálcool. O problema, segundo os críticos, é que a medida mirou a produção de vodca, e não a questão de saúde pública. Fazendas foram dissolvidas e destilarias, quebradas. Mas a vodca ainda era monopólio estatal. Se há campanha contra a produção e o consumo, a renda do produto na forma de impostos, responsável por um quarto do orçamento, cai. Foi o que aconteceu. Novo fracasso contra o álcool. A produção de samogon voltou a crescer, detonando a saúde da população. "Na mesma época, o preço de outro produto-chave dos soviéticos entrou em colapso: o do petróleo", diz Schrad. Assim como 70 anos antes, imprimiram mais dinheiro, geraram uma nova superinflação e aceleraram o fim da URSS.

Hoje a vodca não tem um papel tão central na economia do país, representando de 2 a 5% do orçamento. "Além disso, na atual campanha antiálcool de Medvedev, parece que os russos aprenderam que práticas culturais não podem mudar simplesmente com medidas de choque", opina Schrad. "A classe média tem trocado vodca por vinho", diz Herlihy. "Algumas atitudes estão mudando. Mas aumentar o preço não resolve o problema. Só vai fazer com que as pessoas voltem ao samogon ou a qualquer coisa com álcool, como fluido de refrigerador."

O monopólio sobreviveu ao fim da URSS. Boris Yeltsin tentou, mas não conseguiu, acabar com ele. Nem a Rússia nem o presidente venceram a dependência do álcool. As bebedeiras de Yeltsin, morto em 2007, eram tão famosas que seu antigo chefe de segurança precisou negar uma afirmação feita em 2009 pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Segundo Clinton, em 1995, Yeltsin, em visita oficial a Washington, foi visto de madrugada na rua, próximo à Casa Branca. Ele procurava por pizza. De cueca. Bêbado.
Outras leis secas
Os americanos fizeram a fama, mas outros países proibiram o álcool antes

ISLÂNDIA (1915-1935)

Assim como outros países do norte da Europa, a Islândia foi marcada pela forte presença de grupos conservadores nos séculos 19 e 20. A cerveja só foi legalizada em 1989. Ainda hoje há restrições ao consumo nesses países.

FINLÂNDIA (1919-1932)


Assim como a Noruega, sentiu no bolso os efeitos da lei seca. Países como a França ameaçaram produtos escandinavos com o aumento de tarifas alfandegárias em represália ao banimento de suas bebidas. Com 70% de aprovação, o fim da lei foi decretado após 13 anos.

ESTADOS UNIDOS (1920-1933)

Foi aprovada para combater a pobreza e a violência causadas pelo alcoolismo. Mas resultou em bares clandestinos, 30 mil mortos por intoxicação, corrupção na polícia - e Al Capone. Ao menos, popularizou drinques que mascaravam o álcool de má qualidade, como o bloody mary.

Afinal, a vodca é de quem?
Diferentemente da cachaça, que é brasileira, alguns países brigam com a Rússia pela origem da vodca

Na década de 1970, a Polônia, então um dos mais inquietos países sob o guarda-chuva soviético no contexto da Guerra Fria, passou a divulgar que a vodca é um produto típico do país - e não da União Soviética. O monopólio estatal polonês alegava que a bebida nasceu no antigo reino formado por Polônia e Lituânia no século 14. Portanto, o direito de usar comercialmente o nome "vodca" deveria ser exclusivo do país (assim como champanhe é só o vinho branco efervescente feito na região homônima da França e tequila é só o destilado de agave produzido em Jalisco, México). Em 1978, a URSS iniciou uma busca aos primórdios da vodca a fim de comprovar a origem russa dela. Quatro anos depois, um tribunal internacional deu a vitória aos soviéticos. Mas até hoje se discute onde o destilado mais consumido do mundo realmente nasceu. Além da Rússia e da Polônia, a Finlândia, antiga colônia russa e grande produtora de vodca, alega que a "aguinha" surgiu em suas terras. Mas quem realmente popularizou a bebida no Ocidente foi um inglês, que há 50 anos
pede vodca martíni em bares do mundo todo: James Bond. (http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/7-testes-de-elenco-de-grandes-atores-de-hollywood/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super)

POR HOJE É SÓ... PONTO FINAL (REDAÇÃO: O BOLSO DO ALFAIATE)