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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Itajuípe: Marcone Amaral têm 3 contas questionadas pelo TCM-BA

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Itajuípe: Marcone Amaral têm 3 contas questionadas pelo TCM-BA


O candidato a Deputado Estadual é
citado em processos do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCMBa).

O candidato Marcone Costa Amaral Filho que disputa as eleições de 2026 têm registros de contas consideradas irregulares ou com pareceres desfavoráveis no TCMBa.

O levantamento, divulgado pela Fiquem Sabendo, inclui candidatos a deputado estadual, deputado federal e suplentes.

Os dados foram obtidos a partir do cruzamento de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com registros do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) e do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).

Outros candidatos aparecem com apontamentos no TCM-BA, são eles:

Silva Neto (Avante), candidato a deputado estadual: 4 registros;

Elinaldo (União), candidato a deputado estadual: 1 registro;

Carlinhos Sobral (MDB), candidato a deputado estadual: 1 registro;

Charles Fernandes (PSD), candidato a deputado federal: 1 registro;

Elmo Vaz (Avante), candidato a deputado federal: 1 registro;

Juscelino de Irará (União), candidato a deputado estadual: 3 registros;

Jusmari Oliveira (PSD), candidata a deputada estadual: 1 registro;

Binho de Mota (PSDB), candidato a deputado estadual: 2 registros;

Marcone Amaral (PSD), candidato a deputado estadual: 3 registros.

Marcone Amaral tem registro de contas rejeitadas no TCMBa nos exercícios de 2018, 2019 e 2020, tendo se afastado do cargo de prefeito em 2022 para concorrer ao legislativo estadual baiano.

Itajuípe tem hoje os exercícios de 2023, 2024 e 2025, pendentes de julgamento pelo TCMBa, contas estas de responsabilidade do prefeito atual Leo da Capoeira.

2ª ExpoCacau consolida o evento no calendário da cacauicultura brasileira


Pelo segundo ano consecutivo, a ExpoCacau movimentou Ilhéus. Realizada pelo CocoaAction Brasil em parceria com o Estado da Bahia e Prefeitura de Ilhéus, a feira agrícola e de negócios reuniu 7 mil participantes, sobretudo produtores de cacau, de 25 a 27 de agosto. “A 2ª edição é a concretização do sucesso da ExpoCacau, que se consolida como o grande encontro anual da cadeia cacaueira”, diz Pedro Ronca, diretor do CocoaAction. “A feira é focada em tecnologia e inovação, com inúmeras soluções de mecanização que melhoram a capacidade do produtor de realizar o manejo adequadamente e, com isso, aumentar sua produtividade e renda.”

A ExpoCacau cresceu em tamanho e relevância em 2026, atraindo produtores e profissionais da cadeia de todo o Brasil, e representantes de 11 países. A área instalada de expositores foi ampliada em 25%, ocupando 5.000 m². A feira teve 60 estandes, representando 75 marcas e empresas. “A ExpoCacau mostrou um setor vivo, com produtores buscando tecnologia, produtividade e mais segurança para crescer”, diz Michele Silva, diretora de marketing da Netafim, uma das empresas presente na Expo. “Tivemos muitas conversas e oportunidades concretas de negócios, mas, mais importante que isso, notamos um interesse crescente pela irrigação como ferramenta para profissionalizar e expandir a produção de cacau no Brasil. Estar na ExpoCacau é participar ativamente desse novo momento da cultura”, acrescenta.

Novidade na Expo este ano, a Arena do Conhecimento – espaço de palestras silenciosas localizado no coração da feira – foi um hub de conhecimento e conexões, concentrando apresentações técnicas e dinâmicas, de curta duração. Foram mais de 1.900 participantes ao longo dos três dias de evento. “A gente trabalha com cacau fino e cacau bulk. Quanto mais conhecimento a gente tiver, melhor vai ficar o nosso produto. Na ExpoCacau, temos muitas trocas e levamos esta experiência na bagagem”, diz Miriam Federicci Vieira, produtora de cacau de Medicilância (PA), que a convite da Gencau, viajou 52 horas de ônibus para estar no evento.

Além do Pará e da Bahia, a ExpoCacau atraiu produtores do Espírito Santo, de Rondônia, de Minas Gerais e de novas fronteiras para a produção cacaueira. “Estamos confiantes que seremos produtores tão bons quanto os da Bahia. É minha primeira vez na Expo, mas – com certeza – virei outros anos”, diz Norival Puglieri, produtor de São José do Rio Preto (SP), região que tem apostado no plantio de cacau como forma de diversificar a produção. “É o meu 2º ano na ExpoCacau, desta vez, vim com uma caravana maior para aprender e fazer novos contatos”, diz Ramon Dantas, presidente da Coopcacau (Cooperativa de Produtores de Cacau e Produtos da Floresta do Estado de Alagoas).

Cargill, Fralía Cacau Brasil, Módulo Rural e Ofi foram patrocinadores Diamante da ExpoCacau. Entre os patrocinadores Ouro estavam: Barry Callebaut, Yara, Gencau, Mars, Netafim e SENAR-BA. A feira juntou no mesmo espaço diversos segmentos do agro: fertilizantes, mudas, estufas, máquinas, tratores, drones, tecnologias e serviços para o produtor (como cooperativas, instituições financeiras e certificações). “Estar na ExpoCacau pela primeira vez foi uma experiência fantástica. Nós mostramos as caras para o mundo do cacau, mostramos o conceito de Cacau Tech, um movimento para juntar o setor cacaueiro, trazer tecnologia e inovação para a cadeia, que é tradicional, linda e pode muito mais”, diz Matheus Pedrosa, CEO da Fralía, indústria situada em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG).

A programação da Expo contou ainda com o 8º Fórum Anual do Cacau, o 5º Encontro de Viveiristas e a XIV Semana de Agronomia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). “A ExpoCacau veio com muita novidade, a feira cresceu, tivemos 60 palestras, 7 cursos e 1 Dia de Campo. Eventos diferentes, que reuniram produtores, viveiristas, especialistas e estudantes para trocar conhecimento e alavancar a produção e o desenvolvimento sustentável da cadeia”, diz Vitor Stella, da equipe CocoaAction. Entre os parceiros de mídia que cobriram o evento, estavam Globo Rural, Mercado do Cacau, TV Santa Cruz (afiliada da Globo na Bahia) e Band Bahia.

A próxima ExpoCacau já tem data definida: será de 24 a 26 de agosto de 2027, novamente em Ilhéus (BA). “A ExpoCacau representa para o sul da Bahia uma iniciativa que fortalece a nossa relação com o comércio, a indústria e a produção primária, um movimento de fundamental importância”, diz Fausto Pinheiro, produtor de cacau e presidente da Câmara Setorial do Cacau da Bahia.

Sobre a ExpoCacau

A ExpoCacau é uma ação do CocoaAction Brasil, iniciativa público-privada e pré-competitiva da Fundação Mundial do Cacau (WCF), ativa no Brasil desde 2018 para promover a colaboração e o desenvolvimento sustentável da cadeia cacaueira, com foco nos produtores de cacau. O CocoaAction Brasil conta com oito membros financiadores – Barry Callebaut, Cargill, Dengo, Harald, Mars, Mondelez, Nestlé, Ofi – e dezenas de parceiros que trabalham juntos para realizar ações coletivas em sustentabilidade no cacau.

 

BIOFÁBRICA E CAPPACITAH ABREM INSCRIÇÕES EM CURSO DE PRODUÇÃO DE MUDAS DE CACAU POR ENXERTIA


A Biofábrica da Bahia e o Instituto Cappacitah promovem, no próximo dia 25, uma capacitação técnica em produção de mudas de cacau por enxertia. A formação é voltada para cacauicultores, viveiristas, técnicos agrícolas e colaboradores de fazendas que atuam diretamente na implantação, renovação e condução de viveiros de cacau. A capacitação será na Biofábrica, em Ilhéus.

Segundo a organização, o curso terá uma abordagem prática, ensinando todas as etapas da produção de mudas enxertadas — técnica reconhecida por proporcionar maior uniformidade, qualidade genética e elevado potencial produtivo às lavouras.

Além dos ganhos técnicos, a qualificação fortalece a autonomia das equipes, melhora o padrão das operações e amplia a capacidade de adoção de novas tecnologias dentro das propriedades rurais. Para uma região onde o cacau representa desenvolvimento econômico, geração de renda e identidade cultural, formar pessoas é também fortalecer toda a cadeia produtiva. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (73) 98138-9466 ou pelo site www.cappacitah.com.br/curso.

 

MARAÚ PROMOVE FESTIVAL DE CULTURA OCEÂNICA A PARTIR DE SEXTA-FEIRA (18)


Maraú receberá o primeiro Festival de Cultura Oceânica entre esta sexta-feira (18) e domingo (20). A programação gratuita reunirá atividades sobre educação ambiental, ciência, conservação, cultura e esportes ligados ao mar.

A abertura será no Barra Club, com a Mostra de Cultura Oceânica das Escolas, palestras e ações educativas. O Projeto Baleia Jubarte também participará das atividades.

No sábado (19), o público poderá acompanhar painéis sobre conservação dos ecossistemas, conhecimentos tradicionais, segurança no mar e inclusão da cultura oceânica nas escolas. A programação terá ainda ações culturais e exibição de documentários.

O encerramento começará às 8h de domingo, na Praia de Taipús de Fora. A programação inclui mutirão de limpeza, orientações sobre segurança e salvamento aquático e encontro de praticantes de esportes náuticos.

Participarão atletas de modalidades como surf, kitesurf, stand up paddle, canoagem, mergulho, vela e natação. A iniciativa integra a agenda da Década da Ciência Oceânica e deverá entrar no calendário anual de Maraú.

A Prefeitura promove o Festival por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Secretaria de Educação e da Diretoria de Resíduos Sólidos.

Rombo de R$ 79 bilhões no FGTS afeta 50 milhões de trabalhadores


Dados do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador revelam inadimplência patronal

IFGT aponta um passivo acumulado de R$ 79 bilhões em depósitos não realizados de FGTS - Foto: Reprodução internet

 Um levantamento divulgado pelo Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) aponta um passivo acumulado de R$ 79 bilhões em depósitos não realizados de FGTS por cerca de 2 milhões de empresas.

O montante compromete o saldo de aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros.

O estudo foi publicado em setembro de 2026, mês em que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço completa 60 anos de existência.

Composição da dívida e situação das empresas

Do total de R$ 79 bilhões calculados pela entidade:

·         R$ 66 bilhões referem-se a débitos de 500 mil empresas inscritas na Dívida Ativa da União.

·         O restante corresponde a notificações emitidas pela Caixa Econômica Federal relativas a empregadores inadimplentes.

 Segundo o IFGT, 95% das empresas responsáveis pelas irregularidades continuam em atividade econômica. A permanência em atividade indica a possibilidade de cobrança administrativa e judicial dos valores devidos.

Canais de recuperação e fiscalização

A cobrança dos valores devidos à Dívida Ativa da União compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). As faturas não recolhidas no prazo legal constituem infração à legislação trabalhista e podem ser contestadas por meio de:

1.    Consulta eletrônica: verificação periódica do extrato do FGTS no aplicativo oficial da Caixa Econômica Federal.

2.   Denúncia trabalhista: registro de irregularidades nos canais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou nos sindicatos da categoria.

3.   Ação judicial: intervenção da Justiça do Trabalho para execução de créditos não repassados.

Impacto nas contas vinculadas

O depósito regular do FGTS equivale a 8% da remuneração paga ou devida ao trabalhador a cada mês. A ausência de repasse reduz o rendimento acumulado da conta vinculada e afeta modalidades de saque, tais como:

·         Rescisão sem justa causa

·         Aposentadoria

·         Saque-aniversário

·         Financiamento habitacional

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cacau irrigado aumenta produtividade em até 10 vezes frente ao modelo tradicional

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Itajuípe receberá recursos destinados para rodovia de acesso ao município


A gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) firmou acordo de R$ 12.689.306,99 com o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Litoral Sul (CDS-LS) para serviços em 67,75 quilômetros de rodovias e acessos da região.

Publicado ontem (15) pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia no Diário Oficial do Estado, o Acordo Consorcial nº 062/2026 prevê melhoramento e pavimentação asfáltica em trechos dos municípios de Ilhéus, Itabuna e Itajuípe.

Já Coaraci e Itacaré serão contemplados com recomposição de revestimento primário, serviço destinado à recuperação de estradas sem asfalto. O prazo estabelecido para a execução de todo o trabalho é de 390 dias.

Será que os valores que serão repassados para o município de Itajuípe contemplarão o asfaltamento do acesso norte que liga o município a BR 101, sentido ao município de Ubaitaba.

 

ADÉLIA COBRA DE VALDERICO RETOMADA DA OBRA DO CANAL DO MALHADO: “HONRE A PALAVRA”

 

A paralisação da segunda etapa da obra do Canal do Malhado voltou ao centro da agenda de campanha da candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT), que cobrou uma resposta da Prefeitura de Ilhéus aos moradores e comerciantes prejudicados desde 2023.

“Prefeito Valderico, honre a palavra que você deu ao povo de Ilhéus. Assuma a responsabilidade da Prefeitura, conclua a licitação e retome essa obra. A população do Malhado não pode continuar pagando pelo atraso”, declarou, nesta segunda-feira (14), durante corpo a corpo no Malhado.

A segunda etapa começou em agosto de 2022 e foi paralisada no ano seguinte. A intervenção soma mais de R$ 11 milhões e é financiada principalmente com recursos do Governo da Bahia, por meio de convênio com a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder). A licitação e a execução cabem ao município.

Durante visita a Ilhéus, o governador Jerônimo Rodrigues informou que o recurso estadual já estava depositado na conta da Prefeitura. Apesar disso, os serviços continuam parados.

Valderico Júnior anunciou, ainda no ano passado, que a obra seria retomada até março de 2026. O prazo terminou sem o reinício dos trabalhos. O prefeito voltou a prometer a retomada neste ano e anunciou, em abril, a abertura da licitação. Quase cinco meses depois, o processo ainda não foi concluído.

“É uma demora inexplicável. O recurso está disponível, o município tem responsabilidade pela execução e a própria Prefeitura reconhece os riscos sanitários, ambientais e viários da paralisação. O que falta é decisão para tirar essa obra do abandono”, afirmou a candidata.

Adélia também fez corpo a corpo na Avenida Ubaitaba, onde conversou com moradores e comerciantes.

 

Cacau irrigado aumenta produtividade em até 10 vezes frente ao modelo tradicional


O cacau cultivado a pleno sol e com irrigação começa a mudar a produtividade da cultura em novas fronteiras agrícolas do Brasil. Em áreas do Nordeste, produtores já trabalham com metas de 3.000 a 4.500 quilos de amêndoas por hectare, resultado até 10 vezes acima dos rendimentos tradicionalmente observados em sistemas mais antigos.

A combinação de água controlada, genética, manejo e adaptação ao ambiente está transformando o cacau em uma cultura de interesse para áreas de Cerrado, semiárido e litoral.

O modelo é diferente do sistema tradicional da cabruca, predominante no sul da Bahia. Nele, o cacau é cultivado sob a vegetação da Mata Atlântica. Nas novas fronteiras, o plantio ocorre diretamente sob o sol, embora as plantas recebam proteção nos primeiros anos.

O produtor cearense Altamir Martins implantou 13 hectares de cacau consorciado com um coqueiral de aproximadamente 30 anos, em Acaraú, no litoral do Ceará. A área reúne cerca de 15 mil plantas e seis materiais genéticos em teste.

A primeira colheita começou no ano passado. Para este ano, a expectativa é chegar a 1.500 quilos de amêndoas por hectare. Para o próximo ano, a meta é alcançar 3.000 quilos por hectare na mesma área. “O cacau começa produzindo pouco. À medida que vai se desenvolvendo, vai tendo uma envergadura maior”, explica Martins.

Cacau exige adaptação ao ambiente

A experiência cearense mostra que levar o cacau para uma região nova não significa simplesmente copiar o modelo utilizado em outras áreas. Martins, engenheiro agrônomo com quatro décadas de experiência em fruticultura, passou anos trabalhando com manga, uva e coco. Ao decidir investir no cacau, em 2021, visitou diferentes regiões produtoras e estudou as condições do litoral cearense.

Quando começou a implantação, em 2022, enfrentou o problema de não haver mudas adaptadas à região. As plantas trazidas de Rondônia e da Bahia chegaram em condições ruins, segundo ele. A fragilidade das mudas diante do transporte provocou perdas importantes.

A resposta foi criar um viveiro próprio. “Não dá para pegar uma tecnologia do Pará e uma tecnologia da Bahia e traduzir aqui num litoral a 8 km da praia. Não tem como fazer isso sem adaptar”, afirma.

O produtor passou então a selecionar materiais e desenvolver substratos adaptados ao solo local. O objetivo era fazer com que a muda chegasse ao campo mais resistente às condições específicas do litoral.

Irrigação vira peça central

A irrigação é outro elemento decisivo. O pesquisador Maurício Coelho, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, explica que o cacau é uma cultura exigente em água e sensível a estresses ambientais.

Em regiões semiáridas ou de Cerrado, o balanço entre chuva e evaporação pode produzir longos períodos de déficit hídrico. Nessas condições, a irrigação deixa de ser apenas um recurso de segurança e passa a ser parte da própria viabilidade econômica do cultivo.

“Geralmente nessas zonas fora das tradicionais, que têm uma condição climática favorável, você precisa usar a tecnologia da irrigação”, explica.

A água, porém, não resolve todos os problemas. O cultivo a pleno sol também exige proteção contra vento e excesso de radiação, especialmente na fase inicial.

O professor George Sodré, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), resume o cuidado necessário. “Não se planta cacau sem proteger do vento. O cacau morre de medo de vento”, explica.

Por isso, banana, coco, mamão, macaxeira e outras culturas podem ser utilizadas como proteção inicial. Com o desenvolvimento das plantas, esse sombreamento temporário é retirado.

Menos umidade, menos doenças

Uma das vantagens apontadas pelos pesquisadores para as novas regiões está justamente na menor umidade relativa do ar. As principais doenças do cacau estão associadas a ambientes úmidos. Entre elas estão a vassoura-de-bruxa, as podridões de Phytophthora e a monilíase.

Ao migrar para ambientes mais secos, a pressão de algumas dessas doenças pode diminuir. Segundo Sodré, fungos não gostam de ambientes com baixa umidade relativa.

“Quando você sai da região úmida, você tem, entre outras questões, a redução da umidade relativa do ar. E fungo não gosta de ambiente com umidade relativa baixa”, explica.

Mas o pesquisador alerta que isso não significa ausência de problemas. O calor e a baixa umidade podem provocar outros efeitos, como a viviparidade, quando a semente começa a germinar dentro do próprio fruto.

O fenômeno compromete a qualidade das amêndoas e pode inviabilizar o processamento. Por isso, a expansão do cacau para regiões mais secas exige pesquisa específica.

Genética pode determinar o futuro

A escolha dos clones é outro ponto crítico. Segundo Sodré, dois materiais estão entre os mais utilizados nas novas plantações: o CCN 51 e o PS 1319. O primeiro foi desenvolvido no Equador. O segundo tem origem em uma fazenda do sul da Bahia.

O professor alerta, entretanto, para o risco de concentrar grandes áreas em poucos materiais genéticos. Uma nova doença poderia atingir extensas áreas simultaneamente.

Ao mesmo tempo, os materiais precisam ser avaliados não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade da amêndoa. “O que vai determinar a questão qualitativa é o manejo”, afirma Maurício Coelho.

Segundo ele, plantas jovens e geneticamente selecionadas, associadas a condições de menor umidade e manejo adequado, podem apresentar alto potencial produtivo.

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