alhos & bugalho
Itajuípe receberá recursos destinados para rodovia de acesso ao município
A gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) firmou acordo de R$ 12.689.306,99 com o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Litoral Sul (CDS-LS) para serviços em 67,75 quilômetros de rodovias e acessos da região.
Publicado ontem (15) pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia no Diário Oficial do Estado, o Acordo Consorcial nº 062/2026 prevê melhoramento e pavimentação asfáltica em trechos dos municípios de Ilhéus, Itabuna e Itajuípe.
Já Coaraci e Itacaré serão contemplados com recomposição de revestimento primário, serviço destinado à recuperação de estradas sem asfalto. O prazo estabelecido para a execução de todo o trabalho é de 390 dias.
Será que os valores que serão repassados para o município de Itajuípe contemplarão o asfaltamento do acesso norte que liga o município a BR 101, sentido ao município de Ubaitaba.
ADÉLIA COBRA DE VALDERICO RETOMADA DA OBRA DO CANAL DO MALHADO: “HONRE A PALAVRA”
A paralisação da segunda etapa da obra do Canal do Malhado voltou ao centro da agenda de campanha da candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT), que cobrou uma resposta da Prefeitura de Ilhéus aos moradores e comerciantes prejudicados desde 2023.
“Prefeito Valderico, honre a palavra que você deu ao povo de Ilhéus. Assuma a responsabilidade da Prefeitura, conclua a licitação e retome essa obra. A população do Malhado não pode continuar pagando pelo atraso”, declarou, nesta segunda-feira (14), durante corpo a corpo no Malhado.
A segunda etapa começou em agosto de 2022 e foi paralisada no ano seguinte. A intervenção soma mais de R$ 11 milhões e é financiada principalmente com recursos do Governo da Bahia, por meio de convênio com a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder). A licitação e a execução cabem ao município.
Durante visita a Ilhéus, o governador Jerônimo Rodrigues informou que o recurso estadual já estava depositado na conta da Prefeitura. Apesar disso, os serviços continuam parados.
Valderico Júnior anunciou, ainda no ano passado, que a obra seria retomada até março de 2026. O prazo terminou sem o reinício dos trabalhos. O prefeito voltou a prometer a retomada neste ano e anunciou, em abril, a abertura da licitação. Quase cinco meses depois, o processo ainda não foi concluído.
“É uma demora inexplicável. O recurso está disponível, o município tem responsabilidade pela execução e a própria Prefeitura reconhece os riscos sanitários, ambientais e viários da paralisação. O que falta é decisão para tirar essa obra do abandono”, afirmou a candidata.
Adélia também fez corpo a corpo na Avenida Ubaitaba, onde conversou com moradores e comerciantes.
Cacau irrigado aumenta produtividade em até 10 vezes frente ao modelo tradicional
O cacau cultivado a pleno sol e com irrigação começa a mudar a produtividade da cultura em novas fronteiras agrícolas do Brasil. Em áreas do Nordeste, produtores já trabalham com metas de 3.000 a 4.500 quilos de amêndoas por hectare, resultado até 10 vezes acima dos rendimentos tradicionalmente observados em sistemas mais antigos.
A combinação de água controlada, genética, manejo e adaptação ao ambiente está transformando o cacau em uma cultura de interesse para áreas de Cerrado, semiárido e litoral.
O modelo é diferente do sistema tradicional da cabruca, predominante no sul da Bahia. Nele, o cacau é cultivado sob a vegetação da Mata Atlântica. Nas novas fronteiras, o plantio ocorre diretamente sob o sol, embora as plantas recebam proteção nos primeiros anos.
O produtor cearense Altamir Martins implantou 13 hectares de cacau consorciado com um coqueiral de aproximadamente 30 anos, em Acaraú, no litoral do Ceará. A área reúne cerca de 15 mil plantas e seis materiais genéticos em teste.
A primeira colheita começou no ano passado. Para este ano, a expectativa é chegar a 1.500 quilos de amêndoas por hectare. Para o próximo ano, a meta é alcançar 3.000 quilos por hectare na mesma área. “O cacau começa produzindo pouco. À medida que vai se desenvolvendo, vai tendo uma envergadura maior”, explica Martins.
Cacau exige adaptação ao ambiente
A experiência cearense mostra que levar o cacau para uma região nova não significa simplesmente copiar o modelo utilizado em outras áreas. Martins, engenheiro agrônomo com quatro décadas de experiência em fruticultura, passou anos trabalhando com manga, uva e coco. Ao decidir investir no cacau, em 2021, visitou diferentes regiões produtoras e estudou as condições do litoral cearense.
Quando começou a implantação, em 2022, enfrentou o problema de não haver mudas adaptadas à região. As plantas trazidas de Rondônia e da Bahia chegaram em condições ruins, segundo ele. A fragilidade das mudas diante do transporte provocou perdas importantes.
A resposta foi criar um viveiro próprio. “Não dá para pegar uma tecnologia do Pará e uma tecnologia da Bahia e traduzir aqui num litoral a 8 km da praia. Não tem como fazer isso sem adaptar”, afirma.
O produtor passou então a selecionar materiais e desenvolver substratos adaptados ao solo local. O objetivo era fazer com que a muda chegasse ao campo mais resistente às condições específicas do litoral.
Irrigação vira peça central
A irrigação é outro elemento decisivo. O pesquisador Maurício Coelho, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, explica que o cacau é uma cultura exigente em água e sensível a estresses ambientais.
Em regiões semiáridas ou de Cerrado, o balanço entre chuva e evaporação pode produzir longos períodos de déficit hídrico. Nessas condições, a irrigação deixa de ser apenas um recurso de segurança e passa a ser parte da própria viabilidade econômica do cultivo.
“Geralmente nessas zonas fora das tradicionais, que têm uma condição climática favorável, você precisa usar a tecnologia da irrigação”, explica.
A água, porém, não resolve todos os problemas. O cultivo a pleno sol também exige proteção contra vento e excesso de radiação, especialmente na fase inicial.
O professor George Sodré, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), resume o cuidado necessário. “Não se planta cacau sem proteger do vento. O cacau morre de medo de vento”, explica.
Por isso, banana, coco, mamão, macaxeira e outras culturas podem ser utilizadas como proteção inicial. Com o desenvolvimento das plantas, esse sombreamento temporário é retirado.
Menos umidade, menos doenças
Uma das vantagens apontadas pelos pesquisadores para as novas regiões está justamente na menor umidade relativa do ar. As principais doenças do cacau estão associadas a ambientes úmidos. Entre elas estão a vassoura-de-bruxa, as podridões de Phytophthora e a monilíase.
Ao migrar para ambientes mais secos, a pressão de algumas dessas doenças pode diminuir. Segundo Sodré, fungos não gostam de ambientes com baixa umidade relativa.
“Quando você sai da região úmida, você tem, entre outras questões, a redução da umidade relativa do ar. E fungo não gosta de ambiente com umidade relativa baixa”, explica.
Mas o pesquisador alerta que isso não significa ausência de problemas. O calor e a baixa umidade podem provocar outros efeitos, como a viviparidade, quando a semente começa a germinar dentro do próprio fruto.
O fenômeno compromete a qualidade das amêndoas e pode inviabilizar o processamento. Por isso, a expansão do cacau para regiões mais secas exige pesquisa específica.
Genética pode determinar o futuro
A escolha dos clones é outro ponto crítico. Segundo Sodré, dois materiais estão entre os mais utilizados nas novas plantações: o CCN 51 e o PS 1319. O primeiro foi desenvolvido no Equador. O segundo tem origem em uma fazenda do sul da Bahia.
O professor alerta, entretanto, para o risco de concentrar grandes áreas em poucos materiais genéticos. Uma nova doença poderia atingir extensas áreas simultaneamente.
Ao mesmo tempo, os materiais precisam ser avaliados não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade da amêndoa. “O que vai determinar a questão qualitativa é o manejo”, afirma Maurício Coelho.
Segundo ele, plantas jovens e geneticamente selecionadas, associadas a condições de menor umidade e manejo adequado, podem apresentar alto potencial produtivo.




